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Relatório 28: eu odeio energia eólica

28 fevereiro 2011 3.689 visualizações Sem comentários

A Irmãos Brothers tinha aparecido no computador de pulso como um exemplo de amor à natureza. Tratava-se de uma grande loja de material de construção que possuía, bem no pátio central, um enorme aerogerador para servir de fonte de energia.

Quê? Você não sabe como é um aerogerador?

É um equipamento que lembra os propulsores da velha espaçonave Kafor 300. Não adiantou muito? Pense num ventilador gigante. Ainda não? Tudo bem, eu coloco uma foto:

Bem, quando chegamos na Irmãos Brothers (para não dar na vista, estávamos transformados em anões), logo fomos atendidos pelos próprios proprietários:

Um deles disse: “Sejam bem vindos, caros fregueses, é um prazer tê-los em nossa humilde loja.”

E o outro: “Será um prazer se vocês comprarem alguma coisa.”

“Eh, desculpem meu irmão. Ele é um tanto honesto demais.”

“Eu sou honesto demais ou você é que é honesto de menos?”

“Eh, eh… Ele é brincalhão… mas vamos ás apresentações. Meu nome é José João.”

“E eu sou João José. Nossos pais não eram muito criativos.”

“Mas, enfim, em que podemos ajudá-los?”

“Ou seja, o que podemos lhes vender?

Eu pigarreei e disse: “Bem, viemos aqui porque nosso computador de pulso, digo, um amigo falou que vocês eram uma empresa ecologicamente correta, pois até a energia elétrica de vocês vinha de fonte limpa.”

“Bem, realmente nós usamos…”

“Usávamos.”

“Um aerogerador.”

“Mas ele está desligado”, eu observei com sagacidade. José João e João José coçaram suas cabeças. Depois explicaram:

“Nós até tentamos trabalhar com ele, mas fazia um pouco de barulho.”

“Pouco? Era um ruído ensurdecedor!”

“Não sabíamos que ele tem esse problema”, confessou Velva.

“Os clientes reclamavam um pouco”, contou José João.

“E o pior é que preferiam ir para outras lojas”, revelou João José.

“Nós nos fizemos de surdos para o barulho do aerogerador…”, disse José João.

“… mas não dá para tampar os ouvidos às reclamações dos clientes”, emendou João José. Fiz ar de sério e disparei: “O único ruído que o homem não se cansa de escutar e o tilintar das moedas.”

Velva ficou surpresa com minha observação: “Foi você mesmo que pensou nesta frase ou leu em algum lugar?”

Fiz cara de indignado. Os irmãos continuaram a explicar:

“Outro inconveniente é que os melhores lugares para se colocar parques de aerogeradores geralmente coincidem com as rotas das aves migratórias”, disse José João.

“Isso quer dizer que os parques eólicos podem ser tornar fábricas de frango a passarinho. Ou, no caso, de passarinhos a passarinho”, traduziu João José em seu estilo sincero.

“Isso realmente não seria muito ecológico”, comentou Velva.

“Mas então me digam por que raios os senhores têm um aerogerador?”, perguntei.

José João disse: “Fica bonito.”

João José deu outra versão: “É marketing, puro marketing. Para muita gente, esse negócio de meio ambiente é como uma religião, uma religião verde. E o aerogerador é como um totem dessa fé. Ao ver o equipamento, as pessoas ficam sensibilizadas, imaginam que nossos processos são ecologicamente responsáveis e fazem um monte de compras.”

Velva ficou um pouco desorientada com a franqueza de João José. Mas achou interessante a história da religião verde e começou a fazer consultas no seu computador de pulso. Depois me disse:

“Já que o meio ambiente é uma religião, vamos conhecer um profeta!”

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