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Relatório 12: O monge e o candelabro

21 janeiro 2011 1.342 visualizações Um comentário

Para escapar da ira da tenente Velva tive que me transformar em pulga e sair dali aos pulos.
Só lembrando: ela tinha me pedido para levá-la a Nova York, nos Estados Unidos, mas acabei pousando em Nova Iorque, no Maranhão. O resultado de meu erro foi que ela escreveu um informe cheio de erros e acabou recebendo uma advertência.

Depois de uma hora de fuga, saltei para as costas de um cachorro peludo a fim de descansar. Foi quando escutei:
“Kubno, seu palerma!, eu sabia que ia te encontrar.”

Recebi uma dura admoestação da tenente. Ou seja, levei rabadas nas antenas, chifradas no periscópio e dentadas nas corcovas. Só não morri naquela noite porque não havia outro piloto a menos de cem anos-luz.

Depois de algum tempo, ela parou e disse: “Preciso me acalmar. Ligue os motores da Vork. Vamos para o Tibet.”
Vocês acham que eu iria aceitar aquela ordem sem reclamar, sem impor minha opinião, sem reclamar daquele abuso de poder? Pois estão certos.

Chegando ao Tibet, fomos procurar um mosteiro e ali nos deparamos com um sujeito chamado Li Huang. Ele era mestre e vivia num mosteiro com seus aprendizes. Sua rotina consistia em: comer broto de alfafa, beber água da fonte e meditar. Depois dizem que vida religiosa não é excitante.

Velva gostou de Li Huang. “Ele parece diferente dos tipos que vimos até agora.”

Não sei se ela se referia à careca ou à barbicha pontuda, mas o fato é que fomos ouvir a sua pregação.
Em meio a vários aprendizes, ele disse assim: “Há duas coisas que trazem infelicidade: você ter o que não quer e querer o que não tem”.

Velva aplaudiu suas palavras. Felizmente estávamos invisíveis e transformados em borboletas e ninguém escutou suas palminhas.

O mestre continuou: “O consumismo faz com que aconteçam estas duas coisas. Primeiro, você passa a querer coisas que não tem, como um novo carro, um celular com câmera ou peito de silicone. E, por conta disso, faz com que você já não queira o que já possui.”

“Sábio, muito sábio!”, cochichou Velva.

Li Huang continuou: “O importante no consumismo é: desejar, desejar, desejar. Esse desejo por adquirir novos bens leva a uma produção desenfreada, a um tipo de crescimento que maltrata a terra e exaure os recursos naturais. Não há outra saída: se não desejarmos menos, se não levarmos uma vida mais frugal, estaremos condenando o planeta à morte.”

As palavras do mestre confirmaram as primeiras impressões de Velva.

“Ele tem razão, cabo Kubno. Por isso temos que caprichar no trabalho para a Copula.”

Copula não é o que você está pensando, seu pervertido. Copula é a Confederação dos Planetas Unidos pela Luta Ambiental. Trata-se de uma organização respeitável que faz coisas muito importantes. Por exemplo, pagar esta viagem.

“Para facilitar nossa investigação, creio que poderíamos nos transformar em humanos”, falou a tenente.

“Ótima idéia!”, exclamei “Podemos, inclusive, nos transformar num casal para ficarmos com um ar mais confiável. O que você acha, hein, hein?”, perguntei dando-lhe uma piscadela.

Nem preciso dizer que meu olho está roxo agora.

De qualquer forma, em breve nos transformaremos em humanos. Vou escolher um físico bem imponente para atrair a tenente Velva. Estou em dúvida entre um sujeito chamado Jô Soares e outro de nome Tiririca. Talvez pegue o corpo de um e a cabeça do outro.

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Um comentário »

  • Murilo said:

    Esse ta de Li Huang.Ta aí, um cara que não se deixa iludir pelo consumismo(pena que igual a ele existam pouco).

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