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Entrevista com Cortella por Torero

13 janeiro 2011 2.604 visualizações Sem comentários

Acompanhe aqui o registro que o roteirista Torero alaborou após a entrevista com Mário Sergio Cortella, nosso consultor para o documentário Espiritualidade.

Por José Roberto Toreroa

A entrevista com Mario Sérgio Cortella aconteceu em seu escritório na avenida Angélica. E nós não fomos parar na Higienópolis.

Já o conhecíamos da TV e tivemos uma certa convivência durante os anos da gestão de Luiza Erundina na Prefeitura de São Paulo (fomos assessores de imprensa durante sua administração), de forma que sabíamos que seria uma boa conversa.

Demoramos um tanto para começar porque o diretor Lírio Ferreira foi parar num outro endereço, razoavelmente distante (alguém sempre erra o lugar da conversa). Isso nos custou cerca de uma hora de espera, mas Cortella manteve o bom humor.

Quando Lírio chegou e finalmente demos início à entrevista, foi excelente.

Cortella tem um discurso absurdamente bem coordenado. Consegue evoluir no tema, dar exemplos, pontuar com frases lapidares e, se abre um parêntese, volta ao ponto de partida com perfeição. É um sujeito que poderia ditar seus livros em voz alta, sem rascunho, de tanto que seu pensamento é bem estruturado.

Ele falou os primeiros 35 minutos de uma enfiada só.

O tema dele me parecia o mais difícil: Socioambientalismo e Espiritualidade.

Mas logo de cara ele separou espiritualidade de religiosidade e tudo ficou mais fácil.

Daí passeou pelos conceitos de anima e decência, desenterrou o sentido de palavras como lucro (que tem a mesma raiz de logro), orientar e nortear (oriente e norte), e fez até um breve mergulho no hinduísmo e no confucionismo.

Resumir aqui a conversa seria dar uma migalha de um bolo saboroso. É melhor esperar por uma fatia maior.

Era engraçado que, quando ele fechava um pensamento, realmente parava de falar. Em vez de seguir por outro assunto ou repetir o que já havia dito, o que é muito comum, simplesmente parava e perguntava se tínhamos outra questão ou se queríamos que ele falasse sobre outro ponto.

Aproveitamos e o exploramos bem, fazendo novas perguntas.

Como seu discurso era bem escorreito, houve um momento em que até parei com as anotações, só escrevendo algumas palavras-chave para buscar o assunto na transcrição.

Nesta conversa solidificou-se o que talvez seja uma das linhas narrativas do roteiro.

É que, alguns dias antes, eu tinha sonhado com uma conversa entre Karl Marx e Papai Noel sobre consumismo. Achei que estes diálogos impossíveis seriam uma boa linha narrativa para nossos programas, e perguntei a Cortella se ele tinha alguma sugestão de personagens que poderiam conversar. Ele falou em:

- Protágoras x Henry Ford;

- Marechal Rondon ou um bandeirante x Frei Bartolomé de Las Casas;

- Marte x São Francisco;

- e Marte x Vênus.

Boas ideias que talvez sejam usadas. Elas podem ser pequenas entradas de alguns segundos ou mesmo uma ficção de 12 minutos. Ou talvez acabem na lata de lixo, como tantas ideias que parecem a princípio parecem interessantes mas que depois se revelam impossíveis. Veremos.

De qualquer forma, no final da entrevista, graças à sua lógica impecável, ficamos com a impressão de que era só pegar o texto transcrito e cobrir com imagens para que o roteiro estivesse pronto.

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