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Relatório 8: O homem, ah, o homem

12 janeiro 2011 1.217 visualizações Sem comentários

Quando nos materializamos na espaçonave Vork, o tratador de animais do zoológico ficou um pouco assustado ao nos ver em nossa forma original.

“Quem são vocês?”

“Eu sou a tenente Velva”, disse Velva, “e esse é o cabo Kubno.”

“Isso é alguma pegadinha? Onde está a câmera?”

“Isso não é nenhuma pegadinha, senhor; nós somos de verdade.”

“Impossível. Ninguém pode ser tão feio.”

“Pois saiba”, emendou Velva lançando gases por todos os orifícios. “que fazemos parte de uma missão intergaláctica cujo propósito é definir se vocês, humanos, devem ou não devem fazer parte da COPULA.”

“Cópula? Se for com você eu passo”.

“COPULA é uma sigla para Confederação Planetária Unida de Lealdade Ambiental.”

“Oh, não, ecologistas!”.

Cheguei perto dele e o cutuquei com meu rabo de espinhos, mas o cara não se intimidou. Ele era durão.

“Vocês querem mesmo saber o que eu acho, seus ecochatos? Eu acho que nós somos a criação máxima da natureza e é natural que a gente subjugue a floresta e os bichos.”

“Por que o senhor se acha superior?”, Velva perguntou.

“Nós inventamos as pirâmides, o ar condicionado, o You Tube. Você acha que alguma capivara seria capaz de fazer algo parecido?”

Velva estava com tanta raiva que soltava fogo pelo nariz. Literalmente. Resolvi tomar a frente no interrogatório.

“A tenente não está questionando sua capacidade de inventar coisas, humano. Mas suas criações e seu padrão de vida estão pondo o planeta em risco.”

“O que você queria, E.T.? Que nós ainda estivéssemos vivendo na Idade da Pedra? Que nós passássemos o dia catando piolhos nas cabeças uns dos outros e matando pernilongos? Deus nos deu inteligência e nós a usamos para dominar a natureza hostil.”

“Deus!?”, eu e Velva arregalamos os olhos. Todos os cem.

“É, o criador de todo o universo. Ele disse: ‘Reinarás sobre os peixes que nadam no mar, sobre as aves que voam no céu e sobre os animais que andam na terra.’ Nunca leram a Bíblia?”

“Deus? Hum, interessante…”, disse Velva. “Precisamos pesquisar isso depois.”

Eu continuei com a conversa: “Olhe, não nego que vocês sejam animais interessantes, mas…”

“Interessantes? Nós somos o topo da cadeia evolucionária. A maravilha da criação.”

“Claro, claro… Mas não seria o caso de vocês pensarem numa forma de desenvolvimento menos danosa ao planeta? É assim que nós fazemos lá em Tralfamador.”

“Onde?”

“Em Tralfamador, nosso planeta de origem.”

“Pelo amor de Deus, querem mesmo que eu acredite que vocês são seres de outro planeta? Tirem logo essa fantasia ridícula e parem com isso. Está na cara que vocês não passam de dois ecopentelhos tentando me convencer com essa ideologia de maricas.”

A língua do umbigo de Velva já enforcava o humano quando eu interferi. Que posso fazer se tenho corações moles?

“Tenente Velva, em vez de esganá-lo, creio que podemos fazer coisa melhor. A senhora se lembra daquele urso sexualmente ativo que deixamos no zoológico?”

“Sim, cabo Kubno, mas o que isso tem a ver com …?”

Velva pensou um pouco e gostou da ideia.

Peguei o mutômetro e logo o tratador de animais estava transformado num fofíssimo panda.

Por fim, o teletransportamos para a jaula do urso. Tão cedo ele não se esquecerá dessa experiência de comunhão com as forças da natureza.

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