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Ladislau Dowbor por Torero

12 janeiro 2011 1.631 visualizações Sem comentários

Hoje Torero deixa registrado aqui a entrevista com o Ladislau Dowbor, nosso consultor para o documentário Cidade.

Por José Roberto Torero

A sexta das oito entrevistas foi com o professor Ladislau Dowbor.

Pela primeira vez contamos com a ajuda de um dos futuros diretores da série: Kátia Kloc Lamarca veio de Florianópolis para acompanhar a conversa.

Essa entrevista aconteceu alguns dias depois da rodada dupla com Rogério Costa e Paulo Vaz. Apesar da pausa para reflexão, continuávamos sem uma noção clara de qual poderia ser o fio condutor dos documentários.

A conversa com o professor Dowbor nos deixou um pouco mais perdidos. Não por culpa dele, mas por causa da variedade de perspectivas que pode estar contida num tema como socioambientalismo e cidades.

Primeiramente foi lançada a pergunta: Qual é a escala em que uma pessoa se sente representada?

Certamente as atuais estruturas de representação não favorecem esse sentimento, e nas grandes cidades a tendência para que o indivíduo se sinta uma entidade à parte das esferas de decisão ainda é maior.

O velho centralismo administrativo, além de ineficiente, apresenta inúmeras barreiras para a participação. Este modelo, segundo o professor Dowbor, até teve sua razão de ser numa determinada época. Hoje, numa sociedade na qual o conhecimento circula intensa e livremente, ele é francamente obsoleto.

Essa mudança de perspectiva só foi possível graças ao concurso da rede mundial de informação. Se antes a troca de ideias se dava de maneira lenta e custosa, hoje o mesmo tipo de reflexão pode acontecer em minutos. Isso agiliza a troca de saberes, levando a um desenvolvimento da “economia do intangível”, e, de quebra, também encoraja a organização coletiva.

A cidadania informada, aliás, foi um dos eixos da exposição do professor Dowbor. Ela seria o ponto de partida para reflexões capazes de humanizar a vida nas cidades, defendendo agendas como:

- a descentralização do poder;

- o combate à desigualdade;

- o respeito ao meio-ambiente;

- a produtividade além dos sistemas formais;

- a convivialidade;

Um exemplo que reúne as condições citadas acima foi dado pelo professor. Tratou-se de um movimento de mobilização ocorrido na cidade de Pintadas.

Neste pequeno município baiano era tradição os homens se deslocarem todos os anos para São Paulo para participar da colheita da cana. Além de não aportar renda significativa, isso trazia males como o enfraquecimento do sentimento de pertença e a desagregação familiar.

Após uma improvável vitória da oposição, o coronelismo estadual reagiu à maneira clássica: mandou fechar a agência local do Banco do Brasil.

Isto deveria ter dado motivos para a desesperança, mas, ao contrário, foi o ponto de partida para a criação de uma cooperativa que passou a trabalhar num projeto de recuperação do solo do semi-árido e do estudo das suas potencialidades. O empreendimento teve sucesso.

Ao disseminar a cultura da cooperação e ao interromper o êxodo dos trabalhadores, conseguiu-se ao mesmo tempo incremento da renda, inclusão, recuperação do meio-ambiente e revitalização das estruturas sociais.

Como o leque de situações apresentado foi aberto, e, de certa forma, desorientador, saímos de lá pensando se não seria o caso de focar o roteiro de cidades neste caso. Uma história exemplar apenas, capaz de transmitir os pontos centrais associados ao tema.

Mas, claro, essa foi uma hipótese. Faltavam ainda duas entrevistas e, conforme o rumo que elas tomassem, novos caminhos poderiam aparecer.

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