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Rogério Costa por Torero

11 janeiro 2011 1.710 visualizações Sem comentários

Acompanhe a descrição do nosso roteirista durante a gravação do depoimento de Rogério Costa, consultor para o documentário Trabalho.

Por José Roberto Torero

Houve um dia em que tivemos uma rodada dupla de entrevistas. A conversa aconteceu numa tarde de calor abafado, num prédio de escritórios da rua Turiaçu.

Como o local ficava relativamente perto de nossas casas, fizemos uma pequena contribuição para a limpeza do ar indo a pé para a entrevista.

O professor Rogério iniciou a conversa falando sobre o padrão mundial de consumo que se estabeleceu após a Segunda Grande Guerra. De um momento para outro todo mundo queria viver com o conforto de um casal norte-americano, e isso implicou na necessidade de um ritmo de produção alucinado cujas conseqüências vemos hoje, com o esgotamento de algumas fontes de matéria prima.

Já sabemos que é preciso interromper esse processo e, no entendimento de Rogério, o governo teria importante papel nessa batalha ao usar sua arma mais eficiente, os impostos. Reduzir a taxação de objetos que poluem menos em toda a cadeia de produção seria um tipo de medida simples, eficaz e benéfica.

Mais adiante, ele falou sobre as possibilidades de incorporação de políticas ambientais no dia a dia das empresas, mostrando como da rejeição inicial (isso implica em custos) se vem passando a um entendimento de que a sustentabilidade pode ser uma ferramenta para o incremento dos negócios. E isso não só por se economizar um clipe ou não se jogar um copo plástico fora, mas também, e em grande medida, pelo retorno que se tem dos clientes.

Uma das experiências citadas foi a do Banco Real, hoje fundido com o Grupo Santander. Esta organização foi uma das pioneiras no sentido de entender que a uma política socioambiental poderia obter bons resultados.

Os trabalhos se iniciaram na década de noventa do século passado e, como era de se esperar, houve um choque de mentalidades. Formados na cultura da maximização do lucro, os empregados relutavam em aceitar o conceito de investimento em ações e projetos que lhes pareciam, no mínimo, românticos. As resistências foram sendo quebradas aos poucos.

Um exemplo simples de como se trabalhou para conquistar a confiança dos atores do processo (funcionários e clientes) foi o uso do papel certificado. Desde o início do processo, a organização optou por usar um tipo de papel cuja produção é feita em áreas de reflorestamento e manejo sustentável, e também onde a água e os resíduos de produção são reutilizados. A medida serviu para firmar a imagem do banco como uma instituição preocupada com a ecologia.

Um exemplo da indústria química também foi citado pelo professor Rogério. Vistas como vilãs, elas realmente tiveram ao longo do tempo um comportamento de desprezo em relação ao ambiente. Hoje, porém, há exceções interessantes como a Basf, que tem trabalhado no sentido de reduzir a emissão de poluentes, o consumo de água, a geração de resíduos e efluentes, além de ter feito a opção pelo modo ferroviário para transporte de sua produção.

Outras empresas (de materiais de construção e da linha de cosméticos, por exemplo) também tem se destacado por trabalhar com essa visão do empreendimento. Suas políticas de acessibilidade, sua ênfase nos processos limpos, seu uso eficiente de energias renováveis e sua maneira de se integrar à sociedade, difundindo a consciência ambiental tem garantido um retorno de simpatia e boa aceitação.

Pode-se dizer que hoje a necessidade do ‘selo verde’ já ocupa um lugar na mente dos consumidores. Por isso algumas empresas, mesmo as que não tem políticas ambientais dignas do nome, tentam mostrar ações nesse sentido. Isso precisa ganhar escala e seriedade.

Já no final da exposição, Rogério da Costa citou as possibilidades que se abrem para os negócios ligados à biotecnologia. Embora ainda estejamos nas fases iniciais desse tipo de atividade, ela pode se constituir numa forma sustentável de atividade econômica.

Devia ser perto de duas horas quando saímos dali e fomos almoçar num restaurante por quilo da própria rua Turiaçu. Não pudemos consumir muito. Ainda havia outra entrevista pela frente.

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