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Na Casa do Papai Noel com Lina Chamie

22 dezembro 2010 3.771 visualizações Sem comentários

Entrevista com Lina Chamie, diretora do Documentário Consumismo

Enquanto aguardava para entrevistar a diretora Lina Chamie, do documentário Consumismo, em uma das locações onde seria filmada a casa do Papai Noel, logo fui posto para trabalhar junto da equipe de produção. A tarefa: escrever cartas figurativas para o senhor de barbas brancas.

Com muitas cartas na mão para preencher, logo comecei a puxar em minha memória se já havia escrito anteriormente ao Papai Noel. Sinceramente, não me lembro, acho que nunca escrevi ao bom velhinho quando era criança.

A diretora Lina afinava todos os detalhes de produção, para lá e para cá, enquanto eu me resumia a pedir skates (foi o único brinquedo que não parecia bobo demais aos olhos da criançada), presentes grandes, muito grandes, e também a desejar um bom Natal ao querido Papai Noel.

Para o consultor sobre o tema Consumismo, Paulo Vaz, o assunto ganhou um novo peso com as mudanças de valores que ocorreram com o passar dos anos. Antes, as pessoas trabalhavam a vida inteira para gozar de um sossego ao final da vida. Hoje, praticamos o “goze agora e seja feliz agora”, e claro, todos estes sonhos diluídos em suaves parcelas a perder de vista. Será que as crianças ainda esperam pelo Natal?

Já a parte ficcional do roteiro criado por Torero, a partir da fala dos consultores, ganha peso e fica mais rica e modulada quando recebe os depoimentos gravados no centro de São Paulo para o documentário Consumismo. “Ao filmar as entrevistas, já deu para sentir que tem uma pegada muito mais ampla do assunto, muitos contrastes, certamente irá abrir o roteiro”, diz Lina.

Para a diretora, este “ser moderno” que intui o seu próprio tempo, entra em um embate quando é questionado sobre os seus próprios valores. “Isso é o mais interessante do filme, vai dando maior contorno ao roteiro.”

Para o consultor Paulo Vaz, o tipo de negociação praticado hoje em dia, com o parcelamento de dívidas a longo prazo, destruiu com a ética protestante, código de ética moral baseada nos princípios da disciplina, do trabalho duro e do individualismo.

Mas quem é o grande vilão do consumismo?

Após realizar uma série de entrevistas, Lina afirma que a situação é bastante complexa. Para a diretora, o vilão aparece junto com um estigma moral, “as pessoas tem diferentes modos de dizer que são materialistas, carregam um certo moralismo, tem a questão do desejo, da felicidade individual, do espaço coletivo, do mercado, estado e governo, são várias camadas para interpretar o vilão da história, mas quem sabe isso possa vir no próprio filme”, afirma.

A parte ficcional do roteiro ganha uma conversa entre dois personagens, um vindo de 1850, que busca em uma moderna relojoari, o conserto para o seu relógio de bolso, já o vendedor, tenta convencer o senhor de que é melhor comprar um novo ao invés de consertar o velho.

“Estes personagens conseguem estabelecer um diálogo  mesmo confrontando culturas de tempos diferentes, eles entram em uma comunhão, e isso aparece nas entrevistas com o povo. Então não consigo observar o consumismo como um sinal dos tempos, não é tão fácil encontrar o vilão dessa história”, diz Lina.

Outra cena que traz o conceito do “ter”ao invés do “ser” acontece em frente a uma loja no momento em que um mendigo encontra um cartão de crédito e, com ele, consegue ter uma rápida ascensão. “Você é alguém a partir do que você tem, e o cinema elucida bastante esse tipo de cultura, é a diferença entre ser alguém e ser ninguém”, completa.

Mas o que a casa do Papai Noel, um consultor sobre o tema consumismo e uma compra de relógios tem a ver com tudo isso? É o que você verá em breve aqui, durante a produção de série Somos um Só, um misto de documentário e ficção.

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